ESTRADA PARA A PERDIÇÃO : 30

CAPÍTULO 14 : O CAMINHO AVVAR - parte 2




No amanhecer seguinte, após um breve desjejum, se puseram em marcha guiados por Hasz. O progresso foi lento devido à neve que caia e o frio insuportável que prejudicava seus músculos bem como os dos animais. Viajaram quase o dia inteiro e, à medida que se aproximavam de seu destino, Hasz foi capaz de reconhecer os sinais de seu povo.


Alcançaram, por fim, uma longa ponte de pedra, sem paredes nas laterais, e com pilastras de pedra ornamentadas que se erguiam a cada poucos metros. As pilastras, congeladas, revelavam ornamentos allamari em formas de linhas paralelas, nós e gemas. Atravessar a ponte foi demorado pois o piso coberto de gelo fazia com que o avanço fosse perigoso e uma queda certamente seria mortal.

Hasz seguia na frente, propositalmente, para ser visto antes dos colegas pelo seu povo. O que aconteceu. Do outro lado da ponte um grupo de seis avvares os aguardavam à postos, alguns com arcos apontados para a ponte, outros com espadas e machados. Eles se vestiam com eles brancas e cobriam o rosto por proteção. Hasz se aproximou e largou no chão as suas armas e confrontou seus conterrâneos em um debate. O grupo, percebendo que havia algo errado, cessou o avanço e aguardou.

Com algum custo conseguiu convencer os companheiros avvar que eles não vinham para causar mal, mas sim, para trazer um bem do clã há muitos anos perdido. O grupo de batedores, sob a liderança de Ygritte concordou em levá-los ao Forte da Pedra do Dragão se eles concordassem em depor armas, o que fizeram com alguma relutância, (inclusive Kimberly ao desfazer seu feitiço de proteção) mas confiando no amigo Hasz. Quando a trégua foi acertada por ambos os lados uma as avvar foi até Hasz, tirou sua máscara e o agarrou, beijando-o apaixonadamente. Era Astrid, sua noiva.

Os demais se apresentaram ao grupo, Ygritte era a ruiva de longos dreds; líder daquele bando; Gunter tinha um blackpower loiro; Bjorn tinha os cabelos loiros longos e trançados; Thorn tinha parte as laterais da cabeça raspadas e tatuadas e o cabelo rastafári longo e loiro, quase branco; Astrid, era loira e tinha os cabelos longos e lisos e era a menor, da altura de Hasz; e por fim Siegfrid tinha tatuagens no rosto e os cabelos longos presos por dois finos rastafáris. As apresentações realizadas, tudo intermediado por Hasz entre os dois idiomas pois seus conterrâneos não dominavam a lingua do comercio, apesar de conhecerem algumas palavras e frases, seguiram para o forte.

Uma vez atrás das muralhas de pedra, seguiram lentamente a sinuosa estrada em direção a casa do chefe. Nas portas das casas dezenas de avvares encaravam os estrangeiros. Passando em frente a uma as maiores casas comuns Hasz foi visitado e abraçado por três de seus irmãos e através de uma conversa breve descobriu que dois haviam morrido na sua ausência e mais três nascidos, bem como sobrinhos e sobrinhas.

Prosseguiram até a maior e mais proeminente construção, a do chefe Aelle. Sobre a porta de entrada uma cabeça de dragão repousava na entrada. Um dragão, informou Hasz aos colegas, que ele mesmo matou, sozinho. Dentro da casa um grande salão retangular com um longo braseiro no centro. No lado oposto da entrada dois tronos, um ocupado pelo maior e mais musculoso avvar que eles já tinham visto, de longos cabelos loiros prendidos por dois longos rastafáris enfeitados com aneis de metal, peito nu deixando à mostra inúmeras cicatrizes, incluindo uma causada por uma pata de dragão. Esse era Aelle, o chefe. Ao seu lado, de pé, um avvar mais velho de cabelos longos em dreds, com uma especie de elmo feito de um crânio de animal e penduricalhos pelos cabelos, Rigor era seu nome e ele era o líder e guia espiritual do clã.

Todo o grupo fez uma reverência aos dois veneráveis líderes do clã avvar da Pedra do Dragão. Hasz  narrou bem abreviadamente a história de como recuperou a urna e da ajuda de seu grupo e a entregou juntamente com as luvas para o chefe Aelle que repassou para o xamã, Rigor que por sua vez acenou em consentimento quando reconheceu o artefato do clã. Depois disso o grupo recebeu o sinal para se levantar e Aelle abraçou Hasz. Eles teriam oportunidade de contar a história detalhadamente na festividade daquela noite. Hasz pediu ajuda ao chefe para encontrar os companheiros Esth e Hazel, o que ele prometeu em fazer no dia seguinte, pois já estava anoitecendo.

Depois disso o grupo foi dividido pois cada um seria abrigado na casa de um. Hasz ficaria com sua noiva Astrid mas acompanhou Abur que ficaria na casa de sua família pois sabia que ele seria melhor recebido lá já que seu povo não gostava de anões. Eldrwin foi para casa de Gunter, Kimberly para a de Ygritte. Tiveram oportunidade de se banhar e limpar, bem como receberam roupas adequadas, feitas de peles brancas, como às dos próprios avvar (embora não corressem o risco de ser confundidos com um deles devido à estatura e composição corporal).

Pouco depois do anoitecer foram para as festividades, na casa do chefe, onde estavam dispostas enormes mesas ao redor dos braseiros. Dezenas de avvares bebiam e comiam alegremente. Uns cantavam ao som dos tambores e o grupo se fartou da bebida e comida. Abur competiu com um grupo de jovens quem bebia mais, deixando-os apopléticos com a bebedeira. Em um ponto da noite Hasz e seus companheiros foram convidados a narrar os acontecimentos.

Hasz narrou os eventos de sua vida desde que saiu do lar at´´e aquele momento, sendo interrompido ora por ovações e ora por gargalhadas. Todos apreciaram as histórias e Eldrwin até mesmo se deu bem um uma avvar através de mímicas. Depois da festa cada um foi abrigado na casa daquele que concordou em lhe ser anfitrião (exceto por Eldrwin que foi para casa da mulher que o levou pela mão e fez sexo com ele até que ele quebrasse umas costelas).

Durante a madrugada Hasz e Kimberly foram acordados e levados em silêncio para a porta da casa do chefe Aelle, onde aguardaram no frio da noite. Pouco depois o chefe saiu e os conduziu por uma escadaria de pedras para o templo da cidade. O templo, a noite, era uma sombria construção de pedra de alguns andares. Era circular e cada andar era aberto exceto pelas pilastras principais que as sustentava. Era possível ver o céu e as estrelas. Lá estava aguardando Rigor, com a urna.

Quando os quatro se reuniram o xamã anunciou que eles foram ali reunidos para testemunhar o ritual de conciliação entre o clã e o totem. Aelle abraçou Rigor e o beijou as bochechas e então fez o mesmo com Hasz, que havia trazido a urna e com Kimberly que tinha contato com o Turvo e os espíritos.

O xamã Rigor dispôs os três ao redor da urna e começou seu ritual. Ele começou à cantar baixinho uma melodiosa canção. No início mal era possível escutá-lo, mas era possível senti-lo, todos os três estavam paralisados em seus lugares. As chamas da tochas se tornaram verdes e se alongaram dramaticamente. A canção atraiu vários espíritos que se moviam ao redor dos quatro e no ar acima. Quando o xamã aumentou o tom de seu cantar Kimberly e os demais, assombrados pelo poder e pela presença dos espíritos, perceberam que também cantavam, apesar de não conhecerem a canção. O ritual durou cerca de meia hora e acabou quando todos cantavam à plenos pulmões. Então um grande espírito de dragão surgiu do alto e fez seu caminho lentamente flutuando em círculos pelo ar até chegar à urna. Quando o espírito pousou sobre a urna a canção acabou, os espíritos desapareceram e
as chamas voltaram ao seu tamanho e coloração normal.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OLHO DA TEMPESTADE : 5

OLHO DA TEMPESTADE : 8

OLHO DA TEMPESTADE : 3