ESTRADA PARA A PERDIÇÃO : 7

CAPÍTULO 4 - NOT FADE AWAY - parte 2


9:29 dia 28 do mês do desabroche. Kimberly se troca apressadamente, pega um cavalo e sai aflita durante a madrugada para a casa de Esth. O elfo acordou com o soar dos cascos do cavalo e logo depois as batidas frenéticas em sua porta e foi atender com a espada na mão apenas para ver uma descabelada Kimberly. Ela o apressou a se aprontar, recusando o convite para entrar e aguardando na porta, para que ele a guiasse até os valeanos na floresta.


Os dois partiram cavalgando, Esth guiando, durante a madrugada para a estrada e então saíram da estrada adentrando na Floresta Bresciliana. Dali em diante seguiram vagarosamente pois a escuridão os impedia de ter certeza sobre qualquer caminho, mesmo com as lanternas que usavam para iluminar. Até que um tempo depois foram interceptados por valeanos que conseguiram muito bem ver os dois.

Com a interferência de Lance, o elfo que Kimberly havia encontrado na cidade anteriormente tentando falar com seu pai dos anões mortos, eles foram admitidos no acampamento élfico. Não podiam ver muita coisa ainda, por causa da noite, mas foram guiados entre tendas para a maior delas, onde os aguardava o guardião do clã. Ele, um elfo de meia idade, austero, com os cabelos meio grisalhos e longos presos em um coque e o rosto tatuado com algo que lembrava um sol. Com ele estava uma jovem, sua aprendiz.

Kimberly, sem qualquer filtro, narrou tudo que se passava e de que precisava da ajuda dele para enviá-la para o turvo para encontrar a alma do seu pai que estava presa lá. E após uma breve discussão, o guardião decidiu ajudá-la, a julgando através dos relatos dos elfos urbanos com os quais seus enviados para a cidade tiveram contato e para quem contaram sobre as ações que a xerife da cidade tomou a favor deles.

Sob orientação do Guardião ela voltou para Vanover com Esth, para buscar um objeto pessoal de seu pai para o ritual e também reuniu Abur, Eldrwin e Hasz. Quando partiram da cidade novamente estava amanhecendo. Fizeram o caminho todo de volta para o acampamento valeano fazendo Eldrwin prometer a ficar calado. Chegando lá foram recebidos por Dalilah, a elfa que havia juntamente com Lance batido na porta do bann no dia anterior. Ela os guiou o grupo até a tenda do guardião. No caminho eles avistaram os Halla, magníficos cervos brancos que servem aos valeanos e somente a eles como montaria e animais de tração. Viram também agora o acampamento sob a luz do sol.

O Guardião recebeu dois deles em sua tenda. Foram Kimberly e Esth, enquanto os demais aguardariam no acampamento. Abur ficou divertindo as crianças elfas que, como perceberam, não tinham tatuagem no rosto. Eldrwin ficou calado, mas completamente atordoado admirando o acampamento. Hasz ficou próximo à tenda tentando escutar.

Na tenda o guardião fez os dois visitantes se sentarem no chão de frente à um braseiro. O encantamento que ele e sua pupila proferiram foi em élfico mas em comum ele anunciou que Dirthamen, o senhor dos segredos, iriam guiá-los na travessia. À medida que os dois proferiam o encantamento eles jogavam ervas no fogo que inundavam a tenda com cheiros variados. Esse cantar e os odores foram deixando os sentidos dos dois adormecidos até que, quando o guardião jogou no fogo duas penas de corvo, fez-se silêncio e a tenda e os elfos se desfizeram em névoa. Do lado de fora da tenda Abur sente um arrepio percorrer seu corpo.

Kimberly e Esth se viram em meio à uma grande floresta, cujas árvores subiam até onde podiam enxergar para o céu. Era um terreno limitado por um abismo e ao longe podiam ver outras florestas flutuando em brumas, umas acima, outras abaixo. Eles portavam representações espirituais de suas roupas e equipamentos. E todo o ambiente ao redor parecia vibrar. Com a bengala de seu pai ela seguiu na direção em que a fazia reagir apresentando uma luminescência elétrica.

Pelo caminho espíritos de animais e pássaros passavam por eles como borrões de tinta, deixando rastro. A frente eles avistaram em uma clareira um espírito e foram em sua direção. Antes porém de alcançar a figura na clareira Esth é acertado em cheio por um enorme galho enquanto Kimberly percebe o ataque e se esquiva. Duas árvores, cujas falhas e reentrâncias no tronco formavam rostos tortos os atacaram e feriram mas foram destruídas.

Finalmente encontraram o espírito, um homem de armadura completa contemplando o horizonte. E bastante chato, como descobririam logo depois. Ele se juntou aos dois e seguiram juntos pela floresta até ela se estreitar em um corredor entre dois abismos e do outro lado avistaram dois demônios, criaturas nativas do Fade de natureza maligna e poder. Então o espírito, que se chamava Sir (sir o que? Apenas Sir), alertou os demônios ao fazer um discurso motivacional. Os demônios, partiram para cima dos três. Eram homens em chamas. Sir atravessou o tronco de um com sua espada e Esth usou sua espada para jogá-lo no abismo enquanto Kimberly lutava com o outro e por fim o vencendo, deixando apenas o corpo de uma pessoa carbonizada que foi desmanchada pelo vento e carregado para longe.

Enquanto isso no acampamento os Halla começaram a ficara agitados e se afastarem da margem onde se encontravam, deixando os elfos em alerta. Eldrwin foi ver o que estava acontecendo e de repente saíram da floresta dezenas de lobos monstruosos. Eles eram enormes, sem pelos, espinhos nas costas, presas enormes, maiores do que o focinho fazendo-os deformados. O grupo entrou em combate juntamente com os elfos contra essas criaturas aterrorizantes.

Após algum tempo, no meio da batalha, o chão tremeu e árvores foram derrubadas na parte da floresta de onde haviam vindo os lobos e de lá saiu uma criatura de 3m, couro marrom, mãos e pés que terminavam em enormes garras, uma especie de capa vermelha esfarrapada cobrindo o corpo até a cabeça de da cabeça saindo presas como de um javali. Enormes espinhos nas costas se projetavam através da capa. A criatura urrou ao entrar no acampamento, matou um elfo o trespassando com as garras e seguiu acampamento adentro. O grupo entrou em combate com a criatura, assim como alguns elfos. O monstro era bastante resistente e o seu couro absorvia a maior parte dos golpes e os ferimentos que ele recebia, lentamente ia regenerando. Com uma mordida ele quase matou Hasz que estava em combate corpo a corpo com ele. Mas lentamente, e não sem matar mais elfos e ferir o grupo gravemente. Mas com o esforço de todos finalmente a criatura caiu. Restando ainda um punhado de lobos monstruosos.

No Fade, após vencer os demônios, à frente na trilha encontraram um arco de pedra. Do outro lado dele viam a floresta assim como viam ao redor. Estudaram tal arco e descobriram que contorná-lo era diferente de atravessá-lo e fazendo isso se viram adentrando um salão familiar. As paredes de tijolos, a lareira, as poltronas e candelabros indicavam à Kimberly que estavam em casa. Lá estava seu pai, mais jovem e saudável, sua mãe igualmente rejuvenescida, uma Kimberly criança e um garotinho sentado no chão brincando com blocos.

Todos se assustaram com a entrada de Kimberly e Esth. Sir, apesar de segui-los, não chegou lá. Alí a família assustada gritou pelos guardas. O Bann sacou sua espada e interrogou os invasores e a pequena Kimberly, que tinha olhos brilhantes, incentivava o pai contra a velha Kimberly e Esth. Então começou o doloroso processo de convencer seu pai de que sua juventude, saúde e família completa era fruto da artimanha de um demônio e que ele deveria aceitar sua condição real. As duas Kimberlys disputaram a atenção do pai e Esth tentando ajudar descobriu que não gaguejava ali. Por fim convenceram o Bann que quando tocou sua bengala saiu do Fade deixando para trás o demônio. Os dois enfrentaram o demônio, que se transformou em uma mulher adulta, bela, nua e com três pares de chifres. A venceram. Ela pediu por misericórdia. Lhes contou tudo que sabia sobre como a alma do bann havia chegado ali (foi através da sombra que atacou a casa). Esth guardou sua espada, comovido, mas a furiosa Kimberly matou o demônio e depois disso voltaram para os seus corpos na tenda do guardião.

Quando Esth e Kimberly saíram da tenda, deixando o guardião exaurido eles encontraram o grupo e os elfos ainda em combate com os lobos monstruosos e a eles se uniram. Eldrwin montou um lobo, Kimberly curou Hasz que estava morrendo com sua magia. O guardião usou a magia dele fazendo raízes surgirem do chão e formar uma cerca viva e assassina exterminando muitos lobos. E por fim, tendo maior parte das criaturas já sido mortas ou fugido, o combate terminou pouco depois.

Os elfos se ocuparam de cuidar de seus feridos e cinco que foram mortos. Cum exceção de Eldrwin que ficou para ajudar os valeanos, o grupo voltou para Vanover, para a casa do Bann. Lá, Abur e Hasz foram servidos de bebida e comida e Kimberly foi ter com seu pai. Ele estava desperto, sendo cuidado pela esposa e se sentia bem melhor.

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